BIOGRAFIA - Crológica

por: Maria Luiza Kfouri

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1979
1.0 de janeiro: Vai ao ar, pela TV Bandeirantes, um programa especial que Elis levara um mês gravando. Ela aparece passeando e cantando com Adoniran Barbosa, visita Rita Lee em uma discoteca paulista, e com ela canta Doce pimenta, música feita por Rita para Elis. Direção do programa: Roberto de Oliveira e Sueli Valente. Fim de janeiro: Elis tira Transversal do tempo de cartaz e viaja para descansar. Em mais de um ano de temporada o show foi apresentado em Porto Alegre, Roma, Milão, Paris, Barcelona, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Fevereiro: Elis assina contrato com a gravadora WEA, mesmo já tendo assinado, antes, com a EMI-Odeon. Entre os projetos que envolvem o novo contrato, uma apresentação no Festival de Jazz de Montreux, Suíça, em julho. Dias depois do rompimento oficial de Elis com a Philips, a gravadora lança, a toque de caixa, um LP intitulado "Elis Especial", com músicas que ela havia cantado em ensaios de estúdios - como guia para arranjos -, além de outras que haviam sido cortadas das edições finais dos discos por não serem consideradas boas gravações. Motivo desse lançamento: Elis devia dezesseis fonogramas à gravadora. Maio: Participa do Show de maio, com renda revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo, em um enorme galpão do velho estúdio da Cia. Vera Cruz de Cinema, em São Bernardo do Campo, com cinco mil pessoas presentes. Além de Elis, participam do show: João Bosco, Macalé, Gonzaguinha, Dominguinhos, Maria Martha, Fagner e Carimbos Vergueiro. 15 de maio: É lançado o primeiro compacto simples de Elis pela WEA. De um lado, a música O bêbado e a equilibrista de João Bosco e Aldir Blanc; do outro, As aparências enganam, de dois compositores novos, Tunai (irmão de João Bosco) e Sérgio Natureza. O bêbado e a equilibrista é imediatamente apelidado de "Hino da Anistia", cuja campanha se intensificava no Brasil. Julho: A WEA lança O LP "Essa Mulher", com O bêbado e a equilibrista e uma música inédita de Cartola, Basta de clamares inocência, além de uma inédita de Baden Powell e da música título, de Joyce e Ana Terra. 15 de julho: Elis apresenta-se no Grand Palace de Bruxelas, Bélgica, numa festa musical que comemora os mil anos da cidade. Toots Thielemans, um dos maiores jazzistas da gaita-de-boca e que já havia gravado um LP com Elis em 69, está presente e acompanha Elis em Madalena, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, e Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant. 19 de julho: Apresenta-se na Noite Brasileira do 13.0 Festival de Jazz de Montreux, Suíça. Banda: César Mariano (teclados), Hélio Delmiro (guitarra), Luisão (baixo), Paulinho Braga (bateria) e Chinco Batera (percussão). No final da noite, Elis e Hermeto Paschoal fazem uma jam session. 25 de julho: Elis canta no Festival de Jazz de Tóquio, Japão. 30 de agosto: Começa uma série de apresentações do novo show Elis, essa mulher. A temporada: 30/8 a 6/9 - interior de São Paulo; 14 a16/9 São Paulo; 17/9 a 5/l0 - interior de São Paulo; 6/10 - Londrina; 9 a 21/10 -Porto Alegre; 25 a 28/10 - Curitiba; 31/10 a 18/11 -Belo Horizonte; 22 a 25/11 - Brasília; 28 a 31/11 -Belém; 1/12 - São Luís; 2/12 - Teresina; 5 a 9/12 - Fortaleza; 11 a 16/12 - Recife; 18/12 - Aracaju; 19 a 23/12 - Salvador. A estréia nacional do show é no Ginásio Municipal de Esportes de Sorocaba, interior de São Paulo, para uma platéia de duas mil e quinhentas pessoas. Banda: César Mariano (teclados), Crispim dei Cistia (guitarra e teclados), Ricardo Silveira (guitarra, violão e viola), Luís Moreno (bateria), Nenê (baixo), Chacal (percussão). Direção musical: César Mariano. Som: Rogério Costa. Realização: Trama. Promoção: Poladian Produções. No programa do show, Elis escreve: Nessa hora e meia, a gente vai falando do jeito da gente. Os tempos da ingenuidade. Da desatenção. Do não saber de nada. Do susto que se tomou ao se conhecer quase nada. Dos tempos da quixotada. Dos restos de amadorismo. Do amadurecimento. Da raiva. Essas coisas todas que foram transformando a gente. Que hoje tem o mesmo riso, faz a mesma algazarra, gosta da cachaça, etc... Mas que melhorou o jogo de cintura, aprimorou o físico, desenvolveu o faro. Além de ter aprendido a prender a respiração quando o cheiro não é dos melhores. O concerto é isso aí. Devagarinho vai se levando. Pra, no final, a esperança ser posta na berlinda de novo. Esperança que pinta, mas já com a certeza de que a gente tem que cavar. Tem que tomar. Na marra. Rindo. Se possível".
1980
Janeiro: Primeiros ensaios e seleção de elenco para o show Saudade do Brasil no Teatro Procópio Ferreira, SP. 20 de março: Estréia no Canecão, RJ, o show Saudade do Brasil, com um elenco de vinte e quatro pessoas - treze músicos e onze bailarinos, a maioria novatos - dirigido por Ademar Guerra e coreografado por Márika Gidali, com quem Elis faz aulas de dança. Há dez anos Elis não se apresenta no Canecão. Direção musical: César Mariano. Figurinos: Kalma Murtinho. Cenário e programação visual: Marcos Flaksman. 'Não se trata de saudade de alguma coisa que acabou ou pessoa que morreu. É saudade do que está aí vivo, solto, e nunca deixou de existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior" (Elis, para o jornal O Globo, 20/3/80). 9 de julho: Morre Vinícius de Morais. Elis cancela seu show e participa das homenagens póstumas. Segundo a escritora Rita Ruschel, Elis passou vários dias, depois do enterro de Vinícius, dormindo no chão. "Superada essa fase, passou a dormir sobre a colcha, entre as almofadas de coração e borboleta. (. . .) Só muitos dias depois conseguiu, com esforço, entrar definitivamente entre os lençóis e dormir o sono dos justos" (em Meus tesouros da juventude - Editora Summus). É lançado o álbum duplo "Saudade do Brasil", com a íntegra do show, mas gravado em estúdio. Do álbum participam todos os músicos do show, além dos bailarinos, que no show também fazem coro. O álbum duplo é lançado em edição limitada de vinte e cinco mil exemplares e mais tarde, desmembrado em dois discos: "Saudade do Brasil" 1 e 2. Agosto: Depois de cinco meses de absoluto sucesso, Saudade do Brasil se despede do Canecão e do Rio de Janeiro. 4 de setembro: O show estréia em São Paulo, no Tuca Teatro da Universidade Católica. Fica um mês em cartaz. 3 de outubro: A TV Globo leva ao ar o especial Elis Regina Carvalho Costa, programa da série Grandes Nomes. Era praxe do programa que o artista focalizado levasse um convidado e cantasse com ele um ou dois números. O convidado de Elis, para esse programa, é o próprio César Mariano. Os dois, sozinhos, apresentam Rebento, de Gilberto Gil, e Modinha, de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Novembro: Depois de já ter lançado um álbum duplo pela WEA em julho, Elis lança um novo LP. Dessa vez, a gravadora é a EMI-Odeon, com a qual, na verdade, Elis havia assinado contrato antes de assinar com a WEA. No disco, Elis recria O trem azul, de Lô Borges e Ronaldo Bastos, e Rebento, de Gilberto Gil, além de apresentar dois compositores até então não gravados: Jean e Paulo Garfunkel. É o primeiro disco de Elis na Odeon e o último que ela grava. É dedicado a Rita Lee, "Meu ídolo, minha amiga e colega de internato".
1981
Janeiro.. Elis vai a Los Angeles e começa os preparativos de um disco a ser gravado com Wayne Shorter, compositor e saxofonista que já havia gravado com Milton Nascimento. Esse disco nunca ficou pronto. 6 de março: Dentro da série Grandes Nomes, a TV Globo apresenta o especial de Gal Costa. Convidada especial: Elis. Ela vem de Los Angeles para atender ao convite de Gal. As duas cantam juntas Amor até o fim, de Gilberto Gil, e Estrada do sol, de Tom Jobim e Dolores Duran, música que ambas, separadamente, já haviam gravado. Elis em seu LP de 1971 ("Ela"), e Gal no disco "Gal Tropical', de 1979. 9 de julho: Elis vai para o Chile participar de um programa de televisão. Volta a São Paulo no dia 12, para continuar os ensaios de seu novo show, cuja estréia está marcada para uma nova casa de espetáculos paulista, o Canecão-Anhembi. 22 de julho: Estréia o show Trem azul no Canecão paulista. Direção: Fernando Faro. Cenário: Elifas Andreato. Banda: Sérgio Henriques e Paulo Esteves (teclados), Nathan Marques (guitarra e violão), Luisão (baixo), Teo Lima (bateria), Otávio Bangla (sax tenor e soprano), Nilton Rodrigues (trumpete e flugelhorn). Arranjos: César Mariano e Natan Marques. César não participa do show: ele e Elis estão definitivamente separados depois de nove anos de casamento. O show fica um mês e meio em cartaz. 19 de setembro: Única apresentação de Trem azul em Porto Alegre, no ginásio de esportes Gigantinho. É a última vez que Elis canta em sua terra natal. 22 a 25 de outubro: O show volta a São Paulo, no Palácio de Convenções do Anhembi. 26 de outubro: Durante um coquetel no salão do Hotel Caesar Park, RJ, Elis assina contrato com a gravadora Som Livre. "Eu estou absolutamente desesperançada com todas as gravadoras. Todas são iguais. Mas a Som Livre, pelo menos, toca no rádio, põe os discos nas lojas, tem trinta por cento da fatia de mercado, divulga na televisão e tudo" (para o Coojornal de outubro de 1981). 28 de outubro: Trem azul estréia no Teatro João Caetano, RJ, e fica ~o dias em cartaz. 11 de dezembro: O show apresenta-se no Rio Palace, RJ. 31 de dezembro: Elis faz sua última apresentação na televisão. É num especial de fim de ano da TV Record, onde canta Me deixas louca, de Armando Manzanero em versão de Paulo Coelho, e O trem azul, de Lô Borges e Ronaldo Bastos.
1982
Janeiro: Elis começa a ouvir fitas para escolher o repertório de seu próximo disco, o primeiro para a gravadora Som Livre. 5 de janeiro: Dá sua última entrevista. É para o programa Jogo da Verdade, da Televisão Cultura de São Paulo -RTC. Participam do programa, como entrevistadores, Salomão Esper, Zuza Homem de Mello e Maurício Kubrusly. 19 de janeiro, terça-/eira.' 11h45 - Morte, em São Paulo, por intoxicação exógena aguda. O corpo de Elis é levado para o Teatro Bandeirantes, onde é velado até o dia seguinte. Elis veste a camiseta que não pôde ser usada no show Saudade do Brasil, dois anos antes: a bandeira brasileira, com seu nome no lugar de "Ordem e Progresso". O Teatro Bandeirantes fica cheio durante a noite e a madrugada. Vários artistas no velório: Rita Lee, Roberto de Carvalho, Raul Seixas, Jair Rodrigues, Ronald Golias, Martinha, Lélia Abramo, Ronaldo Bôscoli, Luiz Carlos Mieli, César Mariano, Henfil, Tônia Carrero, Hebe Camargo, Ángela Maria, Fafá de Belém. Gilberto Gil, nos Estados Unidos, manda uma coroa de flores: "Sua voz será de todas as canções, sua alma de todos os corações". A morte é manchete em jornais: "Perdemos nossa melhor cantora" - Jornal da Tarde - SP - 20/1 "Suspeita de suicídio na morte de Elis Regina" -O Estado - SC - 20/1 "Causa da morte de Elis só vai ser confirmada amanhã" - Jornal do Brasil - RJ - 20/1 "Brasil chora morte de Elis" - A Notícia - Joinville - SC - 20/1 "Coração mata Elis" - O Estado do Paraná - 20/1 "Elis" - Folha da Tarde - RS - 20/1 "O Brasil sem Elis Regina" - Folha de S. Paulo - 20/1 Algumas agências de propaganda fazem circular mensagens a respeito de Elis em todos os jornais: 'Choram Marrais e Clarice. . . Chora a nossa pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis Regina embarcou num brilhante trem azul, deixando conosco a eternidade de seu canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade." (Age Propaganda - SP) "A verdade não rima, a verdade não rima, a verdade não rima. . ." (Visão Publicidade - PR - tirada da letra da música Onze fitas, de Fátima Guedes.) "Nada será como antes. Elis Regina Carvalho Costa" (Signo Comunicação - RJ) 20 de janeiro: O Departamento de Trânsito de São Paulo cria um esquema especial para o cortejo, do Teatro Bandeirantes ao cemitério do Morumbi. A pé, de carro ou moto milhares de pessoas acompanham o carro do Corpo de Bombeiros que leva o caixão. Elis é sepultada por volta de uma hora da tarde no túmulo 2199, quadra 7, setor 5 do cemitério do Morumbi. 21 de janeiro: O delegado do 4~o Distrito Policial de São Paulo, Geraldo Branco de Camargo, divulga os resultados da autópsia e dos exames toxicológicos realizados em Elis. O laudo número 415/82 do Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico-Legal revela "resultado positivo para cocaína e álcool etílico, este na quantidade de um grama e seiscentos miligramas de álcool etílico por litro de sangue; a quantidade de álcool etílico encontrada em nível sangüíneo revelou estar a vítima sob estado de embriaguez, e a presença de cocaína caracterizou o estado tóxico, que em somatória pode responder pelo evento letal". 22 de janeiro: A TV Cultura e a TV Globo apresentam especiais com Elis Regina. O da TV Cultura é a reapresentação de um programa feito em 1972, onde Elis fala de sua carreira e canta por duas horas. Direção de Fernando Faro. O da Globo é uma colagem das várias fases da carreira de Elis. A Sudwestsunk, emissora de televisão alemã, com sede em Baden Baden, apresenta um especial de quarenta e cinco minutos com teipes de Elis gravados quando ela esteve na Alemanha. 26 de janeiro: Missas de sétimo dia são rezadas em São Paulo, Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil. Em São Paulo, a missa é às dezoito horas na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Na igreja, mais de mil pessoas. entre elas Rita Lee, César Mariano, Samuel MacDowell, Walter Silva, Teotônio Vilela, Audálio Dantas, Lula, Cauby Peixoto, Hebe Camargo, Henfil, Renato Consorte, Lélia Abramo. Os textos litúrgicos são lidos por Rita Lee e Rogério, irmão de Elis. No Rio a missa é celebrada na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, com as presenças de Gal Costa, Nana Caymmi, Fafá de Belém, Zezé Motta, Betty Faria, Herminio Belio de Carvalho, entre outros. 29 de janeiro: Divulgado o resultado dos exames realizados pelo Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico-Legal, que determinam a quantidade de cocaína que teria sido ingerida por Elis antes de morrer: Exame complementar n.0 00415 Exame toxicológico Resultado: A análise quantitativa de cocaína efetuada em fígado e urina forneceram os seguintes resultados: Urina: 23 mg/100 ml (23 miligramas de cocaína por 100 mililitros de urina). Fígado: 2,4 mg/l00 g de tecido (2,4 miligramas de cocaína por cem gramas de fígado). Observações: As dosagens acima foram efetuadas em cromatografia liquidogás, utilizando-se padrão de cocaína extrapura cristalizada de procedência alemã (Merck)". O laudo é assinado por Maria E. M. da Costa Amaral, Vera Elisa Reihardt, Maria Isahel Garcia e Evilin Mansur. 30 de janeiro: No show Festa do interior no Maracanãzinho, RJ, Gal Costa dedica a música Força estranha, de Caetano Veloso, a Elis, "uma estrela que luz eternamente". Essa homenagem seria repetida durante toda a temporada do show pelo país. 7 de fevereiro.' Mais uma homenagem, e monumental. No estádio do Morumbi, SP, cem mil pessoas assistem ao show Canta Brasil, As atrações: Simone, Fagner, Toquinho, Chinco Buarque, Milton Nascimento, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Paulinho da Viola, Djavan, Nara Leão, Clara Nunes e João Bosco. Sobe um enorme painel com o rosto de Elis, e todos artistas, público, cem mil vozes - cantam O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. 16 de fevereiro: O promotor Pedro Franco de Campos, da 1 a Vara Auxiliar do Júri, requer o arquivamento do inquérito sobre a morte de Elis ao juiz Antônio Filiardi Luiz, alegando "não haver crime a punir. Não houve o delito de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, mesmo porque não se pode falar com segurança em suicídio". 23 de fevereiro: O juiz Antônio Filiardi Luiz manda arquivar o inquérito instaurado para apurar a morte de Elis. 4 de março: Tem início o "Mês Músical Elis Regina", promovido pela Prefeitura do Município de São Paulo em seus teatros de bairro. Participam do evento: Adoniran Barbosa, Zimbo Trio, Tetê Espíndola, Grupo D'Alma, Tomzé, Premeditando o Breque, Marlui Miranda, Belchior, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Marina, Grupo Rumo, Renato Teixeira. A promoção vai até o dia 28. No fim de março a WEA põe no mercado o disco "Elis Regina XIII Montreux Jazz Festival", com a gravação da apresentação de Elis em julho de 1979.0 disco não foi lançado na época porque tanto Elis como a gravadora não aprovaram a qualidade técnica da gravação. Destaque no LP: O encontro de Elis com Hermeto Paschoal. 1.0 de maio: É registrada oficialmente a Associação Brasileira Elis em Movimento (ABEM), com sede em São Paulo, criada com o objetivo de preservar a arte e a memória de Elis. 8 de maio: O prefeito Tito Costa, de São Bernardo do Campo, SP, inaugura o Teatro Elis Regina na Avenida João Firmino, 900, no bairro de Assunção. A gravadora Continental relança os dois primeiros discos de Elis, gravados em 1961 e 1962. "Viva a Brotolândia" e "Poema" são relançados em álbum duplo sob o nome de 'Nasce uma Estrela". Nesta mesma época a Polygram/ Philips, gravadora de Elis por quinze anos, lança uma caixa com quatro LPs que abrangem o período de 1965/1978 de sua carreira. Agosto: A ABEM lança o número zero do jornal Elis em Movimento, no qual são divulgados os objetivos da associação. Lançamento do álbum duplo "Trem Azul", pela Som Livre, com a gravação da última apresentação do espetáculo em São Paulo, no Palácio de Convenções do Anhembi A gravação original fora feita em uma fita cassete normal, mono, pelo irmão e técnico de som de Elis, Rogério Costa. A fita passou por uma série de processos de purificação. O som do disco não é perfeito, mas a gravação guarda o calor do show e nos dá a oportunidade de ouvir Elis cantando Flora de Gilberto Gil, e Eurídice, de Vinícius de Morais, músicas nunca antes gravadas por ela.
1983
14 de janeiro: É aberta, no Centro Cultural São Paulo, a '1 Semana Elis Regina" uma promoção da Rede Globo de Televisão em convênio com a Secretaria de Cultura de São Paulo. Na programação da semana: shows com Renato Teixeira, Ivan Lins, Lô Borges, Tetê Espíndola, Grupo Papa- vento, Grupo Medusa, Rosinha de Valença, Guilherme Arantes, Belchior e Zé Rodrix; exposições de fotos e desenhos; espetáculo de dança Elis - 4 estações - coreografado por Esmeralda Monteiro e apresentado pelo Ballet Art; mímica de Denise Stoklos para a música Se eu quiser falar com Deus de Gilberto Gil, na interpretação de Elis; lançamento de cartões-postais e de poster comemorativo de autoria de Elifas Andreato. Durante a promoção, a Rede Globo inclui em sua programação vespertina e noturna pequenos flashes focalizando os eventos da semana no Centro Cultural. 19 de janeiro: Missa de primeiro aniversário na Catedral da Sé, SP, com a presença de cinco mil pessoas. Milton Nascimento participa cantando Essa voz música dele e de Fernando Brant em homenagem a Elis, e Canção da América também dele e de Fernando Brant, acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Campinas regida pelo maestro Benito Juarez. A Rede Bandeirantes de Televisão coloca em sua programação, entre oito e meia e meia-noite, vinte breaks de três a cinco minutos cada um, com vinhetas homenageando Elis, além de apresentar, às vinte horas, o especial Elis com imagens de arquivo e depoimentos de Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan e Sueli Costa. A Escola de Samba Unidos de Vila Jsabel RJ, promove a "Noite dos Imortais", com um show em homenagem a Elis. São inauguradas duas exposições em São Paulo: "Elis 100% Nacional", com guaches de Vicente Gil, na Galeria Paulo Figueiredo, e "Elis Paz", no Spazio Pirandelio. A gravadora EMI-Odeon lança um disco intitulado 'Vento de Maio", com antigas gravações de Elis, como Tiro ao álvaro, de Adoniran Barbosa e Osvaldo Moiles, junto com Adoniran, e O que foi feito devera (de Vera), de Milton Nascimento, Fernando Brant e Márcio Borges, junto com Milton. 23 de fevereiro.. A mímica Denise Stoklos estréia no SESC Fábrica da Pompéia, SP, um recital de mímica baseado em quinze interpretações de Elis. 27 de fevereiro.. É aberto o 'II Mês Musical Elis Regina", uma série de shows nos teatros da prefeitura de São Paulo, com Joyce, Paulinho Boca de Cantor, Jards Macalé, Luli & Lucina. Abril: O álbum duplo 'Trem Azul", com a integra do show gravado por Rogério Costa, ganha o Disco de Ouro por ter vendido mais de cento e vinte mil exemplares. Leva também o prêmio especial da Associação Paulista dos Criticos de Arte pelo tratamento dado à gravação original. 10 de novembro: O Ballet Art estréia no Teatro da Hebraica, SP, o espetáculo Elis - 4 estações que revive as fases de sua carreira com os movimentos 'A Primavera dos Sonhos", "O Verão do Amor", "A Maturidade do Outono" e "A Descrença do Inverno".
1984
16 de janeiro: É aberta, no Centro Cultural São Paulo, a 'II Semana Elis Regina", promovida com a colaboração da Rádio e TV Gazeta, com shows de Cida Moreyra, Eduardo Gudin, Grupo Medusa, Tomzé, Rosa Maria, Regina Tatit, Célia e Grupo Papavento. Lançado, pelo Opus Vídeo e Fonográfica - selo Elenco -, o álbum duplo "Elis Vive" - uma seleção de sucessos de Elis. 22 de janeiro: O prefeito Mário Covas e o secretário de Cultura Gianfrancesco Guarnieri inauguram, em São Paulo, a Praça Elis Regina, na altura do número 1670 da Avenida Corifeu de Azevedo Marques, bairro do Butantã. Fevereiro: A Escola de Samba União de Vila Prudente, SP, sai às ruas no carnaval com o samba-enredo Elis Regina, o som da festa eterna desta musa, de autoria de Nelson Coelho, Roberto Lindolfo e Ditão. A letra do samba: "Na terra do churrasco e chimarrão Eu me embalei na poesia onde brotou a revelação Elis, a luz que irradia, minha vila vem mostrar Pra que chorar, cai comigo na folia pra despertar Vamos pular, são só três dias Hoje tem arrastão Eu vou Upa neguinho na estrada Ai que saudade nos dá Foi a hélice de tantos valores atuais No falso brilhante da vida, jamais foram esquecidas suas [obras imortais Era uma musa que surgia para sempre, quem diria, entre [tantas marias Trem azul, pimentinha ardida trazida do sul, Beco das [Garrafas rádio circo e Tv Elis, a festa é sua, desça e vem sambar na rua." 22 de fevereiro: Estréia no Teatro São Pedro, SP, o espetáculo Elis, com um pássaro no ombro. Com dança, música, teatro, fotografia e literatura conta-se a história do Brasil entre os anos 60 e 80, tendo Elis como fio condutor. Criado pelo grupo Baleteatro de Minas, o espetáculo já havia sido apresentado em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Depois de São Paulo, o grupo apresenta-se em Brasília. Novembro: A gravadora Som Livre lança o disco "Elis -Luz das Estrelas", feito a partir de um teipe da Rede Bandeirantes de Televisão que foi ao ar em 1976. Usou-se só a voz de Elis. Wagner Tiso, Dori Caymmi, Natan Marques; Lincoln Olivetti, Eduardo Souto e Guto Graça MeIlo fizeram novos arranjos. A intenção declarada: mostrar Elis com um "som atual". O disco tem dez faixas, seis das quais inéditas em gravações de Elis: Para Lennon & McCartney, de LÔ Borges e Fernando Brant, No dia em que eu vim me embora, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Velho arvoredo, de Hélio Delmiro e Paulo César Pinheiro, Corsário e Gol anulado, de João Bosco e Aldir Blanc. Novo LP de montagem é lançado pela Polygram, selo Fontana Special: "Nada Será Como Antes - Elis Interpreta Milton Nascimento", com dez faixas, gravadas entre 1966 e 1978. 27 de dezembro: Morre, de câncer no pulmão, Romeu Costa, pai de Elis, aos sessenta e seis anos.

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