BIOGRAFIA - Crológica

por: Maria Luiza Kfouri

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1965
6 de abril: Recebe o prêmio Berimbau de Ouro por ter vencido o 1 Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior, com a música Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Morais. 8 de abril: Estréia no Teatro Paramount, SP, o show Elis, Jair e Jongo Trio, produzido por Walter Silva. O show apresenta-se ainda nos dias 9 e 12 e é gravado ao vivo. O disco, "Dois na Bossa", faz um grande sucesso e Elis e Jair são contratados pela TV Record para fazer um programa semanal de música brasileira. Frase de Elis na época: "Você sabe lá, o que é, com vinte anos, sair pra rua e ser reconhecida? Você fica louca, se achando Deus". 10 de abril: Recebe o prêmio Roquete Pinto como a melhor cantora de 1964, na TV Record. 19 de maio: Estréia na TV Record o programa semanal O Fino da Bossa, comandado por Elis, com a presença constante de Jair Rodrigues. Pelo programa passam os maiores nomes da música brasileira, dos mais antigos aos mais novos. O Fino da Bossa passa a ser gravado às segundas-feiras no Teatro Record, SP, transmitido às quartas-feiras para São Paulo e nos outros dias da semana para o resto do país. Direção: Manoel Carlos, Raul Duarte, Tuta Machado de Carvalho e Nilton Travesso. É lançado o disco "Samba eu canto assim", primeiro LP individual de Elis para a Companhia Brasileira de Discos, CBD, selo Philips. 22 de agosto: Estréia na TV Record o programa semanal Jovem Guarda, sob o comando de Roberto Carlos, transmitido aos domingos.
1966

Janeiro: Elis vai para a Europa e fica até o início de março. Faz shows em Lisboa e Luanda com Jair Rodrigues e o Zimbo Trio. 10, 11 e 12 de março: Apresenta-se com o Zimbo Trio no Jardim de Inverno Fasano, SP. Lança o disco "Elis", o segundo pela CBD-Philips, onde grava Canção do sal, de Milton Nascimento. E a primeira vez que uma música de Milton é gravada. Setembro: Participa do II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, cantando Ensaio geral, Gil, e Jogo de roda, de Edu Lobo e Ruy Guerra Só Ensaio geral chega à classificação final, ficando em quinto lugar, e Elis é muito vaiada. Vencedores do festival: Chinco Buarque com A banda, cantada por ele e Nara Leão, Lido Vandré e Théo de Barros com Disparada, cantada por Jair Rodrigues. Durante o festival é gravado o primeiro disco independente feito no Brasil "Viva o Festival da Música Popular Brasileira" -, lançado pelo selo Artistas e fabricado pela Rozenblit. Elis participa com Ensaio Geral e Jogo de roda. Outubro: Canta Canto triste, de Edu Lobo e Vinícius de Morais, na fase nacional do I Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, acompanhada por uma orquestra de cordas e por Edu Lobo ao violão. Vence Saveiros, de Dori Caymmi e Nelson Motta, cantada por Nana Caymmi, música que Elis viria a gravar no mesmo compacto Canto triste. Elis e Edu são vaiados quando a música é classificada para a finalíssima da fase nacional. Dezembro: Elis e Baden Powell fazem show na boate ZumZum, RJ.
1967
Junho: No dia 19, a TV Record resolve tirar o Fino do ar. Depois de perder pontos no Ibope, o programa passa a ser dirigido por Mieli e Bôscoli: é o Fino 67. Mesmo assim, o programa não se recupera, e a direção da Record resolve engloba-lo em uma série chamada Frente Única - Noite da MPB, gravada às segundas-feiras no Teatro Paramount, SP, produzida por Solano Ribeiro. A cada segunda, apresentadores diferentes: Geraldo Vandré, Chinco e Nara, Gilberto Gil, Elis e Jair. 3 de julho: Estréia a série Frente Única - Noite da MPB. Primeiro programa: Elis, sob a direção de Mieli e Bôscoli. A série dura nove programas, três deles apresentados por Elis. Nessa ocasião Elis participa, ao lado de Gilberto Gil e Edu Lobo, de uma passeata em defesa das raízes da MPB, contra a invasão da música estrangeira. A manifestação passa para a história, como a "passeata contra as guitarras". Outubro: Elis se apresenta no III Festival de Música Popular Brasileira, TV Record, conhecido como "o festival da virada". Nasce a Tropicália: Gilberto Gil e Os Mutantes cantam Domingo no Parque, que ganha o segundo lugar, Caetano Veloso, com o conjunto argentino Beat Boys, canta Alegria, alegria, e fica com a quarta classificação. Elis defende O cantador, de Dori Caymmi e Nelson Motta. A música é classificada para a finalíssima, mas só leva um prêmio: o de melhor intérprete, para Elis. O festival é vencido por Ponteio, de Edu Lobo e Capinam. Chinco Buarque fica em terceiro lugar com Roda-viva. Lançamento de compacto. De um lado, Tristeza que se foi, de Adílson Godoy, e de outro, Upa, neguinho, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, um dos maiores sucessos da carreira de Elis. Outubro e novembro: II Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo. Na parte nacional vence a música Margarida, de Guttemberg Guarabyra. O segundo lugar vai para Milton Nascimento e sua Travessia, e o terceiro para Carolina, de Chinco Buarque. Elis não participa desse festival, mas lança um compacto com Travessia de um lado e Manifesto, de Guto e Mariozinho Rocha, do outro. Dezembro: dia 5: Elis Regina casa-se, no civil, com Ronaldo Bôscoli. Ela tem vinte e dois anos, e ele, trinta e oito. dia 7: Cerimônia religiosa do casamento na Capelinha Mairink:, Floresta da Tijuca, RJ, onde mal cabe o véu de dez metros da noiva. Frase de Ronaldo na época: "Não sou rico, mas estou bem. Ela ganha quinze milhões (velhos) por mês e eu, dois e meio. O trivial da casa será mantido por mim. O luxo, por ela". O casal passa a morar na Avenida Niemeyer, São Conrado, RJ.
1968
Janeiro: Elis vai para a Europa representar o Brasil no II Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), em Cannes, França. Canta no show de abertura festival. Delirantemente aplaudida pela platéia de duas mil pessoas, Elis volta ao palco para bisar Upa, neguinho. apresentações nas Tvs inglesa, holandesa, belga, suíça e sueca. janeiro: Vai ao ar pela última vez o programa Jovem Guarda. 29 de janeiro: Estréia, na TV Record, o programa mensal Especial, dirigido por Mieli e Bôscoli, gravado no Teatro Paramount, SP. 6 de março: Elis estréia no Olympia de Paris. Canta oito números, acompanhada pelo Bossa Jazz Trio. Entre as músicas Samba da bênção, de Baden Powell e Vinícius de Morais cantada em francês, versão de Pierre Barouh. Volta ao palco por seis vezes no final do show. 2 de abril: Elis volta ao Brasil. 7 de abril: A TV Record dedica o seu Show do Dia 7 a Elis. Três horas e meia de programa, onde se conta a vida dela. É homenageada com as presenças dos pais, da avó, do irmão Rogério, de Francis Hime, Chinco Buarque e MPB-4, Marcos Valle, Théo de Barros, Edu Lobo, Vinícius de Morais, Baden Powell, Isaura Garcia, Sílvio César, Agnaldo Rayol, Ronald Golias, Chinco Anísio, Wanderléa, Erasmo Carlos, Ronnie Von, Nelson Motta, Dori Caymmi, Márcia, Hebe Camargo, Wilson Simonal, Mieli e Ronaldo Bôscoli. Maio: Elis substitui, às pressas, Cynara e Cybele num show elas faziam com Baden Powell. Elis canta sem ensaiar. Além disso, apresenta-se com Jair Rodrigues e o Bossa Jazz no Teatro Ópera, em Buenos Aires. 11 de maio: Começa a I Bienal do Samba, promovida pela TV Record. Elis participa e vence com Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. 30 de maio: Vai ao ar pela TV Record o segundo programa Elis Especial, gravado no Teatro Paramount, SP, dirigido por Mieli e Bôscoli. 27 de junho: Terceiro programa Elis Especial gravado no Teatro Paramount, SP, dirigido por Mieli e Bôscoli. Agosto: Elis faz uma temporada de um mês na boate Sucata, de Ricardo Amaral, no Rio. Seiscentas pessoas assistem à estréia do show, dirigido por Mieli e Bôscoli. Outubro: Elis integra o júri internacional do III Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo. Vence Sabiá, de Tom Jobim e Chinco Buarque, vaiada pela platéia, que prefere Caminhando ("Pra não dizer que não falei de flores"), de Geraldo Vandré. Um festival muito acidentado na parte nacional: Gil e Caetano são desclassificados na eliminatória realizada no Tuca, em São Paulo. Gil com Questão de ordem e Caetano com ~ proibido proibir. Caetano faz no palco um inflamado e belo discurso, perguntando à platéia que o vaiava sem parar: "Esta é a juventude que diz que vai tomar o poder? (. . .) Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos". 3 de outubro: Em entrevista ao Jornal da Tarde, Elis fuzila o Tropicalismo: "Eu só digo uma coisa: vai bem quem faz coisa séria. Quem quer fazer galhofa, piada com o público, que se cuide. Tropicália é um movimento profissional e promocional, principalmente. De artístico mesmo não tem nada, nada, nada". E lançado O LP "Elis Especial", pela CBD-Philips. Do repertório, Corrida de jangada, de Edu Lobo e Capinam, faz sucesso. A TV Record promove o IV Festival de Música Popular Brasileira. Elis não participa. O júri é dividido em dois: o erudito e o popular. Pelo júri erudito vence São São Paulo, meu amor, de Tomzé; pelo popular, Bem-vinda, de Chinco Buarque. Divino maravilhoso, de Caetano e Gil, cantada por Gal Costa, fica em terceiro lugar no júri erudito e não se classifica no popular. Memórias de Marta Saré, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, é a única a conseguir um consenso entre os dois: fica em segundo lugar. 23 ~ outubro: Elis inicia nova temporada no Olympia, em Pariu. Para essa apresentação, leva os músicos Erlon Chaves, Roberto Menescal e Antônio Adolfo. A temporada estende-se a~ o dia 11 de novembro. A revista Fatos e Fotos de 14/11168 registra: "E a primeira vez que um artista consegue se apresentar duas vezes no mesmo ano no Olympia. Na estréia, Elis veste um Saint-Laurent preto, longo, e recebe oito cortinas.. Entre muitos telegramas, exibe um: 'Mil cortinas pra você Beijos. Ronaldo'" Na França, Elis grava um compacto duplo com a participação de Pierre Barouh na música Noite dos mascarados, de Chinco Buarque, cantada em francês. Arranjos de Eumir Deodato. Apresenta-se, também, no Cassino Estoril, em Lisboa, Portugal. 28 de novembro: A TV Record apresenta o especial Elis em Paris, gravado durante a temporada no Olympia.
1969
Janeiro: Elis apresenta-se, mais uma vez, no Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), em Cannes, França. Canta Corrida de jangada, de Edu Lobo e Capinam, Memórias de Marta Saré, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, e Casa-forte, de Edu, com a participação dele. Faz programas nas Tvs francesa, inglesa, suíça, sueca, belga e holandesa. 20 de fevereiro: Elis volta ao Brasil. 18 de março: Estréia, na TV Record, a série de programas Elis Studio, gravada sem a presença do público, dirigida por Mieli e Bôscoli. A cada programa, um tema e um convidado especial. Um deles: Roberto Carlos. 5 de abril: Na quadra da Estação Primeira de Mangueira, a escola desfila para Elis e lhe concede o título de "Cidadã da Mangueira". Maio: Elis sai da TV Record. 4 de maio: Vai para Londres, onde, nos dias 6 e 8, grava um LP com o maestro inglês Peter Knight. Volta ao Brasil no dia 13. Junho: Vai para a Suécia e grava um LP com o gaitista Toots Thielemans. Os dois discos são lançados na Europa, e só anos mais tarde, no Brasil. Lança, no Brasil, O LP "Elis, como e porquê". No repertório. O sonho, de Egberto Gismonti, e Casa-forte, de Edu Lobo. 1." de julho: Estréia no Rio de Janeiro o show Elis com Mieli & Bôscoli, no Teatro da Praia, que ela arrenda. Banda: Roberto Menescal (guitarra), Wilson das Neves (bateria), José Roberto (contrabaixo, Hermes (percussão) e Jurandir (piano). Agosto: Em entrevista a Clarice Lispector, Elis afirma: 'o palco está tão ligado à minha maneira de ser, à minha evolução, aos meus traumas, que eu acho que me separar do palco é a mesma coisa que castrar um garanhão" Elis lança, com Pelé, um compacto com duas composições dele: Vexamão e Perdão não tem. 2 de novembro: O show Elis com Mieli & Bôscoli estréia em São Paulo, no Teatro Maria Della Costa. Elis está grávida. No 5º e último Festival de Música Popular Brasileira, TV Record, é proibido o uso da guitarra elétrica. Elis não participa. Vence Paulinho da Viola com Sinal fechado. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chinco Buarque e Edu Lobo saem do Brasil. Caetano e Gil para Londres, Chinco para Roma, e Edu Lobo para Los Angeles.
1970
2 de abril: Entrando no sétimo mês de gravidez, Elis estréia no Canecão, RJ, um show dirigido por Mieli e Bôscoli. Acompanham Elis uma banda e uma orquestra. Direção musical de Erlon Chaves. Elis canta uma música de Caetano Veloso (Não tenha medo) e outra de Gilberto Gil (Fechado pra balanço), feitas especialmente para ela e mandadas de Londres, e também As curvas da estrada de Santos, de Roberto e Erasmo Carlos. Nesse show Elis revela Tim Maia, cantor e compositor que já havia trabalhado com Roberto e Erasmo Carlos no início de suas carreiras e que voltava dos Estados Unidos depois de morar lá por alguns anos. Nessa mesma ocasião, Elis lança O LP ". . . Em Pleno Verão", pela CBD-Philips. No repertório, Vou deitar e rolar ("Quaquaraquaquá", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, e, com a participação de Tim Maia, These are the songs, do próprio Tim. Vou deitar e rolar faz sucesso. 17 de junho: Aos vinte e cinco anos, Elis dá à luz um menino, João Marcelo, na Casa de Saúde São José, RJ. João Marcelo nasce forte, mas nos primeiros meses de vida tem muitos problemas por ser alérgico a leite de vaca, chegando a ficar hospitalizado. Sem leite para amamentá-lo, Elis vai à televisão e pede amas-de-leite para o filho. 20 de novembro: Elis estréia, para uma curta temporada, na enorme casa de shows Di Mônaco, SP. Nome do show: Com a cuca fundida. Lança um compacto duplo pela CBD-Philips, cuja primeira música é de dois compositores novatos: Madalena, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza. A gravação faz um grande sucesso. Nesse ano a TV Globo promove o V Festival Internacional da Canção, do qual Elis não participa. Vence a música BR-3, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, cantada por Tony Tornado. Ivan Lins fica em segundo lugar com a música O amor é meu pais, dele e de Ronaldo Monteiro de Souza. Em terceiro lugar, Encouraçado, de Sueli Costa e Tite de Lemos, e em quarto, Um abraço terno em você, viu mãe? de e com Gonzaguinha.
1971
Janeiro: Elis assina contrato com a TV Globo e passa a participar do programa Som Livre Exportação dividindo seu comando com Ivan Lins. No dia 6, o programa é gravado em São Paulo, no Palácio de Exposições do Anhembi. Cinco horas de show para uma platéia de quase cem mil pessoas. Abril: Lança, pela CBD-Philips, o LP "Ela", onde, além de Madalena, já sucesso, grava Roberto e Erasmo Carlos, Lennon e McCartney, Caetano, e Black is beautiful, de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Junho: Estréia, pela TV Globo, o programa mensal Elis Especial, dirigido por Mieli e Bôscoli. Outubro: Elis aceita presidir o júri do VI Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo. Correm boatos de que artistas como Chinco Buarque (já de volta ao Brasil), Tom Jobim, Edu Lobo e Paulinho da Viola aproveitariam a transmissão ao vivo para protestar contra a censura. As autoridades tomam providências e eles acabam se retirando do certame. Vence a música Kirié de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós. Sai o disco intitulado "Top Star Festival", gravado por encomenda da ONU em solidariedade aos refugiados de todo o mundo. Elis é a única convidada brasileira a participar, com Madalena.
1972
1º de março: Estréia no Teatro da Praia, RJ, o show É Elis direção de Mieli e Bôscoli. Banda: César Camargo Mariano (piano), Luisão (contrabaixo), Luís Cláudio (guitarra), Ronaldo (tumbadora) e Paulinho Braga (bateria). Nesse show Elis lança algumas músicas de compositores novos: Sueli Costa, Vitor Martins, Fagner e João Bosco e Aldir Blanc. 11 de maio: Depois de várias separações e reconciliações, Elis e Ronaldo Bôscoli se desquitam. O juiz determina que Elis nada tem a receber de Ronaldo. Este teria que dar uma pensão de três salários mínimos para João Marcelo, que fica sob a guarda da mãe. Junho: Sai do ar o programa Elis Especial, depois de quase um ano em cartaz. Elis rescinde seu contrato com a TV Globo, alegando falta de condições para trabalhar com o ex-marido. Setembro: Elis canta nas Olimpíadas do Exército, no ano do Sesquicentenário da Independência. Outubro: Elis estréia no Mônaco Music Hall, SP, com César Mariano e uma banda de onze músicos. ~ "Elis", pela CBD-Phonogram/Philips. Músicas marcantes: Águas de março, de Tom Jobim, Atrás da porta, de Francis Hime e Chinco Buarque, Nada será como antes e Cais ambas de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Arranjos e teclados: César Camargo Mariano. A música Diálogo de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, vence o Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, já completamente esvaziado pela ausência de outros grandes nomes da música brasileira. Em segundo lugar, Fio Maravilha, de Jorge Ben. 12 o sétimo e último FIC.
1973
12 e 13 de maio: A Philips promove, no Palácio de convenções do Anhembi, SP, a Phono 73, uma série de shows com seus contratados. Entre eles, Elis, Gal, Bethânia, Gil, Caetano, Chinco, Fagner, Nata Leão. Os shows são gravados para posterior lançamento em discos. Cada artista se apresenta sozinho e, antes de sair, canta um número com artista seguinte. Elis é recebida com frieza pela platéia. Alguém do público grita um gracejo pesado para ela. Caetano Veloso, na platéia, levanta-se e grita: 'Respeitem a maior cantora desta terra". Ela canta Cabaré de João Bosco e Aldir Blanc, É com esse que eu vou de Pedro Caetano, Ladeira da preguiça de e com Gilberto Gil. A apresentação de Elis é no dia 11, sexta-feira, justamente o dia em são desligados os microfones de Gilberto Gil e Chinco Buarque, quando eles tentam cantar Cálice a primeira parceria dos dois, durante algum tempo proibida pela censura. Julho: Lançamento do disco - outra vez "Elis" -, que estava sendo gravado desde março. O LP vem com dez músicas: quatro de Gil, quatro de João Bosco e Aldir Blanc, Folhas secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, e É com esse que eu vou de Pedro Caetano. 10 de agosto: Em um ônibus Mercedes-Benz, Elis parte do Lord Hotel de São Paulo para uma excursão de trinta e seis dias pelos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, pelo chamado "Circuito Universitário". Banda: César Mariano (teclados), Paulinho Braga. (bateria), Luisão (baixo), Chinco Batera (percussão), Olmir Stocker (guitarra), Rogério Costa (som) e mais iluminador, bilheteira, administrador, contra-regra, um representante de Marcos Lázaro e o motorista. "Esse circuito, de universitário só tem o nome. Foram poucos os estudantes que vi. A gente, por saber que vai ao encontro dos universitários, prepara um trabalho sério, consciente, de acordo com a idéia do que é proposto. E, no fim, tem que enfrentar uma massa descaracterizada, reunida em ginásios e cinemas, quando na verdade isso deveria ser feito no próprio campus" (Elis, para a jornalista Pink Wainer). Depois dessa excursão, Elis rompe com o empresário Marcos Lázaro.
1974
Fevereiro.. Para comemorar seus dez anos de carreira, Elis vai para Los Angeles gravar um disco com Tom Jobim. Com Elis vão César Mariano (teclados), Hélio Delmiro (guitarra e violão), Luisão (baixo), Paulinho Braga (bateria). Lá, junta-se ao conjunto o compositor, arranjador e violonista Oscar Castro Neves, além de uma orquestra de cordas regida pelo maestro Bili Hitchcock. Tom Jobim participa do disco fazendo arranjos, tocando piano e violão e cantando em algumas faixas. César Mariano também participa com arranjos e piano. O disco é gravado nos estúdios da MGM em Los Angeles, entre os dias 22 de fevereiro e 9 de março. Antes de encontrar-se com Tom, Elis declara: "Tom me assusta um pouco. Mas é importante demais conviver com esse monstro sagrado da nossa música, e a responsabilidade de gravar a seu lado balança um pouco qualquer pessoa". Depois de encontrar-se com ele: "Foi maravilhoso, e Tom é divino. Nunca vi pessoa mais simples e encantadora" (Folha de 5. Paulo, 17/4/74). Elis e César Mariano mudam-se para São Paulo e passam a morar na Rua Califórnia, no bairro do Brooklin. 2 de maio: Estréia no Teatro Maria DeIla Costa, SP, o recital Elis, com direção musical de César Mariano. Banda: Luisão (baixo), Hélio Delmiro (guitarra e violão), Paulinho Braga (bateria), Chinco Batera (percussão), além do próprio César (piano), mais a participação de cinco músicos do naipe de cordas da Orquestra Sinfônica Jovem de São Paulo. No programa do show, Elis escreve: "Já não é tão simples reunir a intenção pura ao ato de cantar. Já não é tão fácil mostrar novas músicas, quando existem dificuldades para encontrá-las. A voz e o modo mudam tudo". Julho: Elis participa do show de inauguração do Teatro Bandeirantes, SP, ao lado de Chinco Buarque, Maria Betânia, Tim Maia e Rita Lee. Canta Conversando no bar, de Milton Nascimento e Fernando Brant, Travessia, de Milton, O mestre-sala dos mares) de João Bosco e Aldir Blanc, Só tinha de ser com você, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, Triste, de Tom Jobim, e Pois é' de Jobim e Chinco Buarque, esta com a participação de Chinco. Logo após o show Elis parte para mais um Circuito Universitário. Desta vez o organizador é Roberto de Oliveira, e as apresentações são em Porto Alegre, Caxias do Sul, Curitiba, interior do Paraná e interior de São Paulo. lançado o disco gravado com Tom Jobim em Los Angeles. 3 e 4 de outubro: Elis e Tom se apresentam no Teatro Bandeirantes, SP, em show dividido em três partes: a primeira por conta de Elis, a segunda com Tom, e, na terceira, cantam juntos. Acompanhamento do Quinteto de César Mariano e de orquestra dirigida pelo maestro Leo Peracci. Arranjos de César Mariano, Tom Jobim e do maestro Peracci. Há nove anos Tom não se apresentava em São Paulo, desde o show O remédio é bossa, produzido por Walter Silva no Teatro Paramount em 1965. Novembro: Sai o disco anual pela CBD-Phonogram/Philips, "Elis". Destaques: Dois pra lá, dois pra cá, de João Bosco e Aldir Blanc, e Conversando no bar, de Milton Nascimento e Fernando Brant. 20 a 23 de novembro: Elis faz recitais no Teatro da Universidade Católica, Tuca, SP. Banda: César Mariano (teclados), Natan Marques (guitarra e violão), Luisão (baixo), Francisco José de Souza (percussão) e Antônio Pinheiro Filho (bateria).
1975
No início do ano é criada a Trama, empresa de Elis e mais três sócios entre eles o mano Rogério e o marido César - que passaria a produzir espetáculos musicais. O primeiro espetáculo produzido é Te pego pela palavra, com Marlene. 18 de abril: Nasce Pedro, na maternidade do Hospital São Luís, SP Segundo filho de Elis, primeiro com César Mariano. Elis: "Agora tenho dois primogênitos em casa". Setembro: Elis, César, Natan (guitarra), Crispim (guitarra e teclados), Wilson (baixo) e Nenê (bateria) começam a ensaiar o show Falso brilhante. Elis e os músicos querem fazer algo mais do que cantar e tocar. Para isso, fazem aulas de expressão corporal com José Carlos Viola, laboratórios com o psiquiatra Roberto Freire e exercícios de sensibilização teatral com Minam Muniz, a diretora do espetáculo. Contam ainda com a participação de dois atores: Lígia de Paula e Janjão. Cenários: Naum Alves de Souza. Figurinos: Lu Martin. Direção musical: César Mariano. Produção: Trama. A um mês da estréia, o grupo Passa a ensaiar num porão da prefeitura, ao lado de um banheiro público, debaixo do Viaduto do Chá, em pleno centro de São Paulo. 17 de dezembro: Falso brilhante estréia no Teatro Bandeirantes, SP. Um sucesso estrondoso do início ao fim da temporada de catorze meses. Uma média de mil e quinhentas pessoas por dia. O espetáculo nunca viajou.
1976
Fevereiro: Minam Muniz e Naum Alves de Souza, diretora e cenógrafo de Falso brilhante, reclamam junto à Trama, produtora do espetáculo, o pagamento para cada um de cinco por cento da renda bruta do show. A SBAT Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - consegue, então, o seqüestro de 16,66% da renda bruta do espetáculo, que ficaria depositado na Caixa Econômica Estadual até que as partes chegassem a um acordo. O caso é entregue à justiça. Elis, César, Raul Cortez e Ruth Escobar vão a Brasília e conseguem a liberação da peça Mockinpott, de Peter Weiss, cuja montagem - d0 Teatro de Arena de Porto Alegre - é proibida horas antes da estréia. Elis doa a renda de uma noite do show Falso brilhante para ajudar o grupo a pagar os prejuízos causados pelo adiamento da estréia. Sai o disco Falso Brilhante, com parte do repertório do show, gravado em estúdio. Destaques: duas músicas de Belchior - Como nossos pais e Velha roupa colorida e Fascinação, grande sucesso de Carlos Galhardo, em versão de Armando Louzada. 15 de março: Premiação dos melhores do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Falso brilhante ganha o prêmio de melhor show. 24 de março: A Trama, produtora de Falso brilhante, vence na justiça a ação reclamatória de direitos autorais interposta por Minam Muniz e Naum Alves de Souza. 21 de maio: Falso brilhante comemora, com uma grande festa, cem apresentações no Teatro Bandeirantes, SP. Setembro: Elis financia o segundo número do jornal Nós Mulheres, publicado pela Associação de Mulheres, SP. 20 de outubro: Falso brilhante completa duzentas representações e bate um recorde no show business brasileiro: desde a estréia, em 17/12/75, até esse dia, foi visto por 194 993 pessoas. Ainda ficaria mais quatro meses em cartaz. 23 de outubro: A TV Bandeirantes leva ao ar o programa Elis Especial, produzido pela Clack e dirigido por Roberto de Oliveira. Dezembro: Elis, César e os dois filhos mudam-se do Brooklin para uma casa na serra da Cantareira, SP. ". . . Fundamental mesmo foi eu ter me admitido como um ser rural. Não só porque tenha sido uma vez rural. Não é isso. ~ rural porque o meu inconsciente coletivo é do campo: minha avó era pastora de ovelhas, e meu avô, plantador de uvas. Mamãe é a síntese disso, papai veio dos índios que foram enxotados da serra dos Patos, e eu e meu irmão passamos a infância catando cocô de vaca para que eles misturassem e fizessem plantações no quintal. Cidade não é mesmo comigo. Asfalto e óleo diesel são com o César. Ele, sim, gosta da fumaça de um onibuzinho poluído. No dia em que entendi que eu fugia de volta para o meu elemento principal, o campo, resolvi assumir tudo. E tive chance, pois logo pintou um terreno na Cantareira, a quarenta minutos de São Paulo. Fomos. No principio foi difícil, porque o César custou mais a se adaptar. Afinal, ele é da Praça da Sé. Mas tudo bem. Hoje, ele de vez em quando dá uma voltinha na cidade, toma fôlego na poluição geral e fica numa boa. (. . .)" (para a revista Amiga de 28/5/80).
1977
6 de janeiro: Volta ao cartaz Falso brilhante, que tinha parado no dia 18 de dezembro para um descanso da companhia. Como novidade, a inclusão de Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Carlos Lyra e Vinícius de Morais. 18 de fevereiro: Falso brilhante encerra sua temporada depois de catorze meses em cartaz, duzentas e cinqüenta e sete apresentações, e de ter sido visto por duzentas e oitenta mil pessoas, que lhe renderam uma bilheteria total de oito bilhões de cruzeiros para um gasto inicial de quinhentos e sessenta milhões (dados do jornal Última Hora, SP, 18/2/77). Elis está grávida de seu terceiro filho. 10 de março: César Mariano e seu grupo estréiam no Teatro Bandeirantes, SP, o show São Paulo-Brasil, com roteiro e direção de Oswaldo Mendes e assistência de direção de Elis. O show, composto de quatro movimentos ("Chegada e reconhecimento", "Construção da cidade", "Peso da cidade" e "Cidade assumida"), tem textos de Oswaldo Mendes. No grupo de César: Natan Marques (guitarra e violão), Crispim del Cistia (guitarra e teclados), Wilson (contrabaixo) e Dudu Portes (bateria). O repertório do show é lançado em disco pela RCA-Victor. Maio.' A Rádio Jovem Pan de São Paulo passa a promover uma série de shows intitulada O Fino da Música, cuja preocupação é divulgar a música brasileira de bom nível. O primeiro show é dedicado ao choro e reúne o Regional de Canhoto; o segundo apresenta Elizeth Cardoso, Paulo Moura e Severino Araújo & Orquestra Tabajara. 25 de. julho: Grávida de sete meses, Elis apresenta-se no Fino da Música número 3, para uma platéia de mais de três mil e quinhentas pessoas, no Palácio de Convenções do Anhembi, SP. Banda: César Mariano & Grupo, mais Hélio Delmiro (guitarra) e Luisão (baixo) como convidados especiais. Participam do show Renato Teixeira (Romaria é lançada nesse dia), Ivan Lins e Cláudio Lucci, um compositor ainda desconhecido, de quem Elis acabara de gravar Colagem e Vecchio novo. Agosto: Lançamento do LP "Elis" pela Phonogram/Philips. O disco conta com as participações de Milton Nascimento, Ivan Lins e Renato Teixeira. Destaques: Caxangá, de Milton e Fernando Brant, e Romaria, de Renato Teixeira. 16 de agosto.' Elis grava sua participação no programa especial de Milton Nascimento, apresentado pela TV Bandeirantes no dia 21 de setembro. Direção de Roberto de Oliveira. Às vésperas de dar à luz, Elis canta com Milton a música Caxangá, dele e de Fernando Brant. 9 de setembro: Nasce Maria Rita, na maternidade do Hospital São Luís, SP Terceiro filho de Elis, segundo de seu casamento com César Mariano Eu tive uma alegria maior tendo uma filha, porque, de uma certa forma, tinha muito homem no meu pedaço. Eu acho que a Maria Rita vai ter uma vantagem, porque eu já fui pra vida. A minha mãe nunca saiu de dentro de casa" (entrevista à TV Globo, 1979). 17 de novembro: Estréia nacional do show Transversal do tempo, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre. Roteiro e direção de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Direção musical de César Mariano. Banda: César (teclados), Natan Marques (guitarra e violão), Crispim del Cistia (guitarra e teclados), Fernando Cisão (baixo), Dudu Portes (bateria). O show fica em Porto Alegre até 6 de dezembro.
1978
9 de janeiro: Reunião no Teatro Ruth Escobar, SP. Participam: Elis, Ivan Lins, Marília Medalha, Paulinho Nogueira, Tomzé, maestro Benito Juarez, Marcus Vinícius e mais trinta artistas. Em discussão uma proposta de estatuto para a criação da seção paulista da Sombrás (Sociedade Musical Brasileira) e da Assim (Associação de Intérpretes e Músicos). A Assim é criada na tentativa de reparar uma grave injustiça praticada com os músicos: eles são obrigados a "ceder" seus direitos conexos de interpretação no momento em que fazem algum acompanhamento em disco. Em tese, cabe aos músicos que participam de uma gravação o pagamento de dezessete por cento do que for arrecadado com o disco em vendagem e execução. Como os músicos são obrigados a abrir mão desse percentual, ele é remetido para a Ordem dos Músicos, que não tem o poder de distribuí-lo. O dinheiro fica guardado para a compra de cadeira de rodas ou para pagar enterros. Elis passa a participar das diretorias das duas entidades. 26 de janeiro: Elis, César Mariano, Martinho da Vila e Marcus Vinícius vão a Brasília pata expor ao então ministro da Educação Ney Braga as diretrizes da Assim. 20 de fevereiro: Elis apresenta Transversal do tempo no Teatro Sistina de Roma, e, dias depois, no Teatro Lírico de Milão. Ela surpreende público e críticos italianos por apresentar um repertório praticamente desconhecido por eles, sem se preocupar em "puxar" os sucessos garantidos. Antes de começar o show, Elis fala ao público: "Carmen Miranda morreu nos anos 50. A Europa precisa entender que não somos um povo só de carnaval. Temos a nossa tristeza. E não vim aqui para fazer concessões. Vou cantar exatamente o que canto em meu pais 1º de março: Transversal do tempo faz uma apresentação no Club de Vanguardia, em Barcelona. 7 de março: Transversal do tempo estréia no Teatro Ginástico, RJ, para uma temporada de três meses. Junho: Sai O LP Transversal do tempo, gravado ao vivo, com trechos do show. Uma particularidade envolve o lançamento do disco: a RCA-Victor, que mantém César Mariano sob contrato, proíbe que apareça o nome dele, como instrumentista, na capa do disco. Seu nome só poderia aparecer no que se referia às partes técnicas do show e do disco. 20 a 30 de julho: Transversal do tempo se apresenta no Teatro de Icéia em Salvador. Agosto: O show cumpre temporadas em Belo Horizonte e Curitiba. 25 de outubro: Transversal do tempo estréia no Teatro Brigadeiro, SP Incluídas as músicas Altos e baixos, de Sueli Costa e Aldir Blanc, e Meninas da cidade, de Fátima Guedes. 8 de outubro: A revista Veja diz que Elis se recusa a levar Transversal do tempo para Buenos Aires, a convite do empresário Ronnie Scally: "Enquanto meu disco ('Falso Brilhante') continuar proibido pela censura argentina, não me apresento lá". (A censura havia interditado o disco por causa da música Gracias a la vida, de Violeta Parra.)

Continua

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